O teste de acuidade visual é usado para analisar o quanto alguém é capaz de distinguir o contorno e a forma das coisas. É importante para detectar problemas de visão em pessoas de todas as idades. Nesse sentido, um exame importante é o teste de Ishihara, aplicado para avaliar a percepção das cores e diagnosticar o daltonismo.

Esse tipo de teste ganha uma atenção especial na área de medicina do trabalho, pois atesta se um trabalhador tem alguma dificuldade que ofereça riscos a ele e aos colegas.

Continue a leitura e saiba mais sobre esse tipo de exame!

O QUE É O TESTE DE ACUIDADE VISUAL?

Acuidade significa ter uma grande capacidade de percepção. No que se refere à visão, representa o quanto uma pessoa consegue ver as coisas com maior nitidez, com uma grande distinção entre formas, cores e tamanhos.

Assim, o teste de acuidade visual é o exame mais elementar para se checar a capacidade funcional da vista de uma pessoa. Quanto melhor o resultado, maior a habilidade de enxergar perfeitamente.

Quando detecta uma função mais baixa da visão, o exame deve ser seguido por outros mais complexos, que determinarão a origem do problema e como corrigi-lo. Porém, na maioria das vezes, o uso de óculos já é suficiente para corrigir as alterações. Ou seja, o teste de acuidade é uma forma simples, rápida e barata de descobrir anomalias da visão.

COMO É FEITO O EXAME E O QUE É AVALIADO?

O exame pode ser feito por um oftalmologista, optometrista, um técnico em óptica ou um enfermeiro. No teste padrão, é usada a Tabela de Snellen. Ela é formada por diversas linhas com letras que vão reduzindo de tamanho. A pessoa deve conseguir ler a certa distância, o que determinará a acuidade visual.

A tabela é marcada por dois números. O primeiro indica a distância em pés entre o quadro e o paciente. Já o segundo representa a fileira menor das letras que pode ser lida pelo paciente. Convencionou-se que a distância será de 20 pés (seis metros). Sendo assim, quando marcado 20/40, significa que uma pessoa deve ser capaz de enxergar a fileira 40 a 12 metros de distância.

Também podem ser usados equipamentos especiais e mais modernos, como o Potencial de Acuidade Macular (PAM), feito a laser. Eles têm características e recomendações diferentes, como será destacado a seguir.

QUAL A DIFERENÇA ENTRE A TABELA E O APARELHO?

Como já foi dito, a tabela é uma forma simplificada de conferir a acuidade visual de pessoas que até então não apresentaram nenhuma anomalia. Assim, é bem prática e fácil de ser instalada. Mas em alguns casos é recomendado que seja feito o exame com o laser, por ser mais preciso. São eles:

  • pessoas diagnosticadas com doenças oculares;
  • traumas e acidentes recentes no olho;
  • pré e pós-cirurgias oculares;
  • presença de catarata.

O QUE É E COMO É REALIZADO O TESTE DE ISHIHARA?

Também chamado de avaliação do Senso Cromático, o teste é realizado com o apoio das figuras de Ishihara, e recebeu esse nome em razão de seu criador, o oftalmologista Shinobu Ishihara.

O médico japonês desenvolveu, em 1917, um teste de daltonismo que consiste na utilização de figuras para avaliar a percepção das cores. As figuras de Ishihara consistem em placas ou discos formados por círculos desordenados e coloridos, contendo números em seu interior.

A identificação dos números só é perfeitamente realizada por pessoas com visão normal, sendo impossível para daltônicos. No entanto, é necessário expor uma série de imagens para indicar um diagnóstico. A quantidade de acertos varia de acordo com o grau e tipo de daltonismo.

Além disso, o teste de Ishihara também colabora na avaliação de doenças que cometem o nervo óptico, por meio da pesquisa de dificuldades na visão das cores, assim como de doenças maculares — área da retina com alta concentração de cones.

COMO FUNCIONA?

Cada placa é composta por um número e uma composição de cores diferentes. Sendo assim, para cada uma delas é esperado um resultado, de acordo com a capacidade de distinção das cores — de normal ao daltônico total. O teste também é capaz de excluir falsos daltônicos.

Isso porque o número 12, contido em uma das placas, pode ser percebido por todos, portadores de daltonismo ou não. Já o número 6, exposto em outro disco, não pode ser distinguido por daltônicos de qualquer tipo.

Há um círculo em que pessoas com a visão normal enxergam o número 74, enquanto aqueles que têm incapacidade de ver vermelho ou verde (forma mais comum da doença) visualizam o número 21. Já os daltônicos totais não identificam número algum.

QUANDO É NECESSÁRIO INVESTIGAR O DALTONISMO?

A suspeita de daltonismo geralmente ocorre na infância, quando após os 3 anos a criança continua a apresentar dificuldade em apontar corretamente o nome das cores. Outra situação comum é ela colorir desenhos com os tons errados, como pintar cenouras de cor de rosa, árvores de vermelho ou tomates de amarelo.

No entanto, em alguns casos o diagnóstico do daltonismo pode passar despercebido por anos. Um adulto daltônico pode viver normalmente, apenas com alguma dificuldade para combinar roupas e distinguir objetos, como maçãs verdes de vermelhas.

Porém, do ponto de vista da medicina do trabalho, a realização do teste de Ishihara é fundamental, uma vez que a perfeita distinção de cores é inerente a algumas funções. É o caso de trabalhadores de laboratórios de análises clínicas, indústrias químicas, escritórios de desenho, designers, indústrias têxteis, área de geologia, entre outros. Além disso, a avaliação de senso cromático é importante para o teste de habilitação.

Vale lembrar que os exames de vista devem ser realizados por todos os funcionários da empresa, no exame admissional e nos periódicos. A periodicidade deve ser anual, mas o médico coordenador do PCMSO pode determinar um prazo maior ou menor conforme a conveniência.

O teste de acuidade visual ainda é um dos exames ocupacionais complementares mais comuns e com grande importância para a medicina do trabalho. No entanto, outros exames também podem ajudar na descoberta de problemas que, de alguma forma, comprometem a acuidade visual — como o já citado teste de Ishihara.

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