As arritmias cardíacas envolvem um conjunto de problemas na atividade elétrica do coração, ocasionando assim uma frequência cardíaca anormal — seja irregular, acelerada ou lenta.

Sua ocorrência está relacionada com diversas complicações cardíacas e sistêmicas, requerendo um diagnóstico precoce para que o tratamento necessário seja instituído.

Os protocolos de atendimento de arritmias devem incluir meios para um diagnóstico eletrocardiográfico seguro e oportuno, com a utilização do eletrocardiograma de longa duração — o exame holter.

No texto de hoje, falaremos mais sobre esse exame, suas indicações e seu funcionamento. Acompanhe!

O que é o exame holter? 

O exame holter é um exame complementar utilizado para a avaliação da presença de arritmias cardíacas, tanto taquicardias como bradicardias. Assim como no MAPA, o paciente ficará por um dia inteiro com um monitor portátil. 

O aparelho utilizado para o exame é acoplado ao peito do paciente e registra a atividade elétrica do coração por 24 horas seguidas. Ele recebeu esse nome em homenagem ao seu inventor, o cardiologista Norman J. Holter.

O tempo estendido do exame facilita a detecção de possíveis alterações do traçado cardíaco, que poderiam não ser identificadas em exames mais curtos como o eletrocardiograma convencional.

Ao final das 24 horas, o aparelho é retirado do paciente e encaminhado ao médico cardiologista, que fará a avaliação da atividade registrada.

Desde sua invenção, em 1949, o aparelho evoluiu muito. Os monitores modernos são pequenos, leves e discretos, permitindo a transmissão dos dados registrados via internet para plataformas de telemedicina, com avaliação remota em tempo real.

Para que serve o exame?

Seu objetivo é analisar as variações de ritmo e de frequência cardíaca ocorridas ao longo do dia.

O aparelho faz registros contínuos que permitem a identificação posterior de possíveis acelerações ou desacelerações não fisiológicas da atividade cardíaca, que podem estar relacionadas a problemas de saúde específicos.

Ele pode também identificar alterações nos batimentos cardíacos, comportamento do coração em síncopes, presença de isquemia cardíaca e o estado geral do sistema condutor cardíaco.

Quando o exame holter é indicado?

O exame é recomendado quando há queixa de tontura, palpitação e falta de ar. Trata-se de uma prática muito útil no diagnóstico de isquemias silenciosas, comuns em pacientes diabéticos, por exemplo.

Além disso, a sua realização é indicada em casos mais específicos, tais como:

  • pacientes já diagnosticados com alguma arritmia cardíaca, para acompanhamento e avaliação da eficácia da medicação antiarrítmica;
  • pessoas que apresentam palpitações ou perdas de consciência;
  • monitoração cardíaca após infarto do miocárdio;
  • monitoração cardíaca após cirurgias cardíacas;
  • portadores de marcapasso.

Não há nenhuma contraindicação para a realização do exame, visto que ele não tem nenhum risco associado. No entanto, alguns pacientes podem apresentar sensibilidade aos adesivos dos eletrodos, sendo recomendada a não exposição ao sol por 3 a 5 dias.

O que pode ser detectado?

O exame é capaz de detectar problemas no ritmo cardíaco, bem como alterações que não ocorrem durante uma consulta médica.

Assim, ele reconhece a aceleração ou desaceleração dos batimentos — taquicardia e bradicardia — além da extrassístole, que é o distúrbio provocado pela contração precoce do ventrículo. Quanto às doenças cardíacas, podem ser diagnosticadas pelo holter: 

  • fibrilação atrial;
  • taquicardia paroxística supraventricular ou taquicardia multifocal;
  • bradicardia (motivo para desmaios);
  • isquemia cardíaca (carência de oxigênio no músculo cardíaco, podendo indicar angina ou infarto do miocárdio). 

Finalmente, ele é também utilizado para avaliar a eficácia do tratamento dos problemas do ritmo cardíaco.

Qual é o preparo necessário?

Como o paciente passará 24 horas com o dispositivo, é recomendado tomar um banho pouco antes da colocação do aparelho.

A região da pele na qual os eletrodos serão ligados deve estar limpa e sem cremes. O álcool é utilizado para a limpeza local e retirada da oleosidade natural da pele.

Não é necessária nenhuma preparação especial como fazer jejum ou ingerir medicamentos ou contrastes. Além disso, o ideal é que o paciente siga sua rotina normalmente, efetuando as atividades diárias normais para que o resultado corresponda à realidade.

No entanto, é preciso tomar alguns cuidados com o aparelho, como não molhar, deixar cair, bater, sujar ou desligar, além de não puxar os cabos dos eletrodos.

Como o exame holter é feito?

A realização do procedimento requer alguns cuidados especiais para que se garanta um exame de qualidade e sem interferências.

O número de eletrodos acoplados varia de acordo com o modelo, podendo ser de 3 a 8. Eles são dispostos para captar a atividade elétrica em diferentes pontos do coração. 

Essa etapa do procedimento dura em torno de 15 minutos. Todos os eletrodos são conectados por fios a um receptor, que fica preso em um cinto ou pode ser levado no bolso.

O paciente é orientado a registrar o horário das atividades realizadas durante o dia e o horário no qual sentir quaisquer sintomas, montando uma espécie de diário do exame. Esses registros são comparados à atividade elétrica registrada pelo holter.

Após o término das 24 horas, o paciente retorna à clínica para a retirada do aparelho e dos eletrodos — o que dura, em média, 5 minutos. Os dados coletados são transferidos para um computador para posterior análise médica.

Como o exame pode ser feito em clínicas sem a devida estrutura?

A presença de um cardiologista nos quadros fixos de uma clínica representa um alto custo, além de ser difícil em lugares remotos. No entanto, é possível oferecer o exame holter mesmo que não haja um médico especialista para realizar os laudos.

Com a ajuda da internet, a telemedicina possibilita que as informações registradas no holter sejam avaliadas por médicos que não necessitam estar fisicamente na clínica, emitindo laudos a distância. Sendo assim, um técnico treinado para operar os aparelhos e uma boa conexão garantem a segurança, agilidade e qualidade dos resultados.

Tudo isso sem que a clínica precise ter uma estrutura completa de cardiologia. Essa medida reduz custos, gera economia e possibilita o acesso ao exame por muito mais pacientes.

Como você pode perceber, o exame holter é uma ferramenta simples e prática de ser utilizada, com grande importância para o diagnóstico de arritmias cardíacas.

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